Um tecto sem Céu

Quinta-feira, Outubro 21

Tecto #2

Dias tranquilos esses, dias em que  a sua vida parecia flutuar num mar morto. Tinha um emprego que lhe oferecia segurança económica, uma família com quem passeava nos domingos de sol, um carro azul escuro e uma casa quase paga. Era uma vida monótona, mas tranquila, longe do turbilhão de problemas em que estava metido. Mas agora já pouco havia a fazer, perdera quase tudo e tinha de a qualquer custo voltar a tomar o controlo da sua vida.
Ainda se lembrava daquele dia fatídico, em que a sua vida começou a mergulhar a pique. Estávamos no fim de Maio, a natureza começara já a perder a pujança do verde e começava a preparação para os dias quentes, que já se começavam a sentir. Tinha acabado de sair do banho, onde havia permanecido mais que o habitual, sentia-se pouco preparado para o dia que se avizinhava. Tinha uma serie de reuniões programadas, no dia anterior pouco tinha conseguido fazer, de alguns meses aquela parte sentia-se particularmente cansado, e o dia anterior não fora excepção, o dia ia correr mal. Começou a fazer a barba, aquele procedimento sofrível que já adiava há três dias, de hoje não podia passar pois o seu superior já o tinha olhado com um ar reprovador no dia anterior.Os movimentos eram lentos sem energia, procurava a todo custo adiar o momento de sair de casa.