<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8817940</id><updated>2011-04-21T20:02:37.180+01:00</updated><title type='text'>Um tecto sem Céu</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://memoria-curta.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoria-curta.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>zoom da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13155617073182009733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8817940.post-110993243253206563</id><published>2005-03-04T10:28:00.000Z</published><updated>2005-03-04T10:34:53.463Z</updated><title type='text'>Tecto #6</title><content type='html'>Escusado será dizer que Manuel  passou a almoçar dia sim, dia sim naquele café. Passou um dia, dois dias,  uma semana, duas semanas e de Cris e Ricardo nem sinal, começava a metalizar-se que aquele "temos de fazer isto mais vezes" não passou de uma frase de circunstancia tipo: "vemo-nos por ai". &lt;br /&gt;No final da terceira semana  quando a esperança começava já a esvanecer, encontrou Ricardo sentado no café,  estava sozinho, cumprimentou-o,  pareceu menos caloroso, mas mesmo assim convidou-o para se sentar, convite este que aceitou, no momento em que se sentava, o telemóvel de Ricardo tocou, este atendeu-o, Manuel teve cuidado de se  sentar de costas para a praia, desta maneira poderia ver se Cris se encontrava dentro do café. Porem isto não aconteceu Cris não tinha acompanhado Ricardo naquele dia. O almoço correu bem, longe claro do abanão que havia levado ha duas semanas. Quando Ricardo  se foi embora, pediu-lhe que desse os seus cumprimentos a Cris, ao que este respondeu afirmativamente. Ficou então a pensar, no que realmente se estaria a passar, como era possível que em trinta anos de vida nunca lhe tivesse acontecido algo semelhante, seria algum sentimento que tinha ficado retido na adolescência, e só agora se libertara. Seria amor a primeira vista?, não, era demasiado céptico para acreditar nisso, alias cultivava em si a ideia  de não existir qualquer deus ao qual compensava com o facto de existirem aproximadamente 500 mil almas gémeas no planeta para cada pessoa. O facto de existirem tantas pessoas "mal casadas" justificava-se pelo tamanho do planeta, pela propensão que as pessoas têm de ficarem pelas primeiras escolhas e também pelo facto de a grande maioria das pessoas  não conseguirem viver sozinhas, nem que seja por um breve período de tempo.  Por tudo isto continuava a achar, que aquele raio que o tinha petrificado, era só um pronuncio que estava carente, e que instintivamente o seu âmago  viu em Cris a solução de todos os seus problemas."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8817940-110993243253206563?l=memoria-curta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoria-curta.blogspot.com/feeds/110993243253206563/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8817940&amp;postID=110993243253206563' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/110993243253206563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/110993243253206563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoria-curta.blogspot.com/2005/03/tecto-6.html' title='Tecto #6'/><author><name>zoom da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13155617073182009733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8817940.post-110312213615689772</id><published>2004-12-15T14:48:00.000Z</published><updated>2004-12-15T14:52:06.246Z</updated><title type='text'>Tecto #5</title><content type='html'>Caiu-lhe um raio em cima, e quando isso acontece pouco ou nada há a fazer. Ele que até se achava um tipo espirituoso, de conversa fácil, ficou com sorriso pateta e de olhos a brilhar, a ouvir falar. Ricardo  debitou 70% da informação, porém os 29 % de Cris  faziam-no levantar da cadeira pelo menos quatro palmos (mais dois que a tosta de queijo), e ali ficava a planar com um sorriso idiota. Nos últimos tempos sentia que a cada dia que passava estava mais céptico acerca do mundo e das pessoas, mas naquela mesa de café deu por si a baixar as defesas, a acreditar cegamente na humanidade. Pena foi que das três vezes que abriu a boca, disse coisas tão inusitadas, que um silêncio desconfortável caiu na mesa de café e se manteve por largos segundos.A conversa foi longa, prolongou-se à vontade por um par de horas, só acabou quando Cris olhou para o relógio e soltou um ah, de quem pisou algo que não devia. Despediram-se à pressa, e quando uma tristeza melancólica já se preparava para sentar na cadeira deixada vazia por Cris, esta disse algo que deixou a praia ainda mais radiante:&lt;br /&gt;-Gostei muito deste bocado, temos de fazer isto mais vezes.&lt;br /&gt;Apressou-se a responder sem pensar:&lt;br /&gt;-Eu costumo vir aqui  todos os dias à mesma hora.&lt;br /&gt;Cris sorriu, e Ricardo exclamou:&lt;br /&gt;- Fica combinado! Até um dia destes...&lt;br /&gt;Ficou a levitar naquele sol morno, com um sorriso idiota que o acompanhou o resto do dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8817940-110312213615689772?l=memoria-curta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoria-curta.blogspot.com/feeds/110312213615689772/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8817940&amp;postID=110312213615689772' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/110312213615689772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/110312213615689772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoria-curta.blogspot.com/2004/12/tecto-5.html' title='Tecto #5'/><author><name>zoom da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13155617073182009733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8817940.post-109880463098638208</id><published>2004-10-26T16:28:00.000+01:00</published><updated>2004-10-26T16:32:51.613+01:00</updated><title type='text'>Tecto #4</title><content type='html'>O sol continuava imponente, porém a agressividade com que o tinha presenteado de manhã já se tinha esvanecido,  brilhava agora num tom amarelo-torrado mais sereno e caloroso. Estava realmente  um dia esplêndido.&lt;br /&gt;Estacionou o carro, tirou a gravata, meteu-a no bolso do casaco e dirigiu-se, por fim, para a esplanada virada para o mar.&lt;br /&gt;Gostava particularmente daquele café, não que houvesse um motivo especial,aliás, tinha começado a frequentar aquele espaço há apenas um par de anos atrás. No entanto, havia algo naquele sítio que o fazia sentir-se em viagem, fora &lt;br /&gt;do País, longe da vivência quotidiana que o consumia. Talvez fosse o azul esverdeado do mar, ou aquelas cadeiras de metal vermelho em que o branco do primário teimava em se propagar com o uso, ou talvez fosse o simples facto de nunca ter encontrado ali ninguém conhecido. Provavelmente seria isso. Naquelas cadeiras sentia-se um estrangeiro.  O facto de nunca ter comentado com ninguém sobre a existência daquele café, provava como permanecer desconhecido naquele espaço era valioso para si.Sentou-se e permaneceu em silêncio enquanto olhava o mar, durante uns bons quinze minutos, o  tempo de ser atendido. Pediu um fino e uma tosta de queijo. Saboreou a tosta como se fosse a sua última refeição, o sabor do queijo derretido com orégãos misturou-se com o cheiro a mar. Sentiu-se ser levantado dois palmos acima da terra, fechou os olhos, e continuou a saborear aquela tosta com cheiro a mar. Quando voltou à Terra e abriu os olhos, sentiu-se zonzo de bem-estar, havia já algum tempo que não se sentia assim. Recostou-se para trás na cadeira, cruzou as pernas e acendeu um cigarro para dar como acabadas as festividades. Enquanto fumava o cigarro, apercebeu-se que alguém lhe fazia sinal ao longe. Tentou perceber quem seria, mas como estavam em contra luz não conseguiu reconhecer as pessoas, permaneceu sentado a fumar enquanto esperava que se aproximassem. Percebeu finalmente de quem se tratava, era o Ricardo acompanhado por uma rapariga cujo rosto não reconheceu, talvez fosse sua namorada. Ricardo era um antigo colega de trabalho, da altura em que trabalhou numa empresa onde exerceu funções de comercial, há cerca de quatro anos. Nunca tinha tido  grande afinidade com ele, porém Ricardo comportou-se como se fossem grandes amigos, estranhou o facto, até por se recordar de Ricardo como uma pessoa discreta pouco dada a alaridos.  Ricardo cumprimentou-o efusivamente e apresentou a sua  companhia como sendo a sua namorada, chamava-se Cris (provavelmente abreviatura de Cristina). No momento que se preparava para a cumprimentar com um aperto de mão, ela precipitou-se para o cumprimentar com um beijo na face, gerou-se um daqueles momentos caricatos, muito parecido com aqueles em que duas pessoas quase se embatem e à última hora se desviam para o mesmo sítio, e quando uma das pessoas torna a corrigir a trajectória a outra faz exactamente o mesmo. Foi o que aconteceu, ao fim de várias tentativas, acabaram por se cumprimentar com um aperto de mão e dois beijos na face. Foi neste exacto momento que a sua vida começou a mudar de rumo. Ao cumprimentar Cristina com um beijo na face, sentiu um arrepio na espinha que o imobilizou.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8817940-109880463098638208?l=memoria-curta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoria-curta.blogspot.com/feeds/109880463098638208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8817940&amp;postID=109880463098638208' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/109880463098638208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/109880463098638208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoria-curta.blogspot.com/2004/10/tecto-4.html' title='Tecto #4'/><author><name>zoom da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13155617073182009733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8817940.post-109836994969085023</id><published>2004-10-21T15:44:00.000+01:00</published><updated>2004-10-21T15:49:59.913+01:00</updated><title type='text'>Tecto #1</title><content type='html'>Ao volante do seu automóvel, bateu violentamente numa árvore, o Airbag disparou e em seguida morreu.&lt;br /&gt;Tinha parado o automóvel em frente á sua antiga casa, a estrada era bastante sinuosa, os campos continuavam por lavrar, as silvas proliferavam, eram o espelho do declínio em que o País continuava a cair, até quando?. Ninguém parecia saber responder.&lt;br /&gt;Ao passar o cruzamento da velha fábrica, passou pelo táxi mal tratado do Queiroz, também este exibia as chagas que a falta de dinheiro provoca. Entristecia ver naquele estado o automóvel que fora o orgulho de Queiroz, como um membro da família, era comum vê-lo ao fim da tarde, de mangas e calças arregaçadas a lavar ao seu belo mercedes negro de tecto verde. Um cheiro a petróleo emanava no ar. Queiroz garantia ser o melhor detergente que um carro podia ter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8817940-109836994969085023?l=memoria-curta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoria-curta.blogspot.com/feeds/109836994969085023/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8817940&amp;postID=109836994969085023' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/109836994969085023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/109836994969085023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoria-curta.blogspot.com/2004/10/tecto-1.html' title='Tecto #1'/><author><name>zoom da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13155617073182009733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8817940.post-109836979262038792</id><published>2004-10-21T15:39:00.000+01:00</published><updated>2004-10-21T15:49:04.613+01:00</updated><title type='text'>Tecto #2 </title><content type='html'>Dias tranquilos esses, dias em que  a sua vida parecia flutuar num mar morto. Tinha um emprego que lhe oferecia segurança económica, uma família com quem passeava nos domingos de sol, um carro azul escuro e uma casa quase paga. Era uma vida monótona, mas tranquila, longe do turbilhão de problemas em que estava metido. Mas agora já pouco havia a fazer, perdera quase tudo e tinha de a qualquer custo voltar a tomar o controlo da sua vida.&lt;br /&gt;Ainda se lembrava daquele dia fatídico, em que a sua vida começou a mergulhar a pique. Estávamos no fim de Maio, a natureza começara já a perder a pujança do verde e começava a preparação para os dias quentes, que já se começavam a sentir. Tinha acabado de sair do banho, onde havia permanecido mais que o habitual, sentia-se pouco preparado para o dia que se avizinhava. Tinha uma serie de reuniões programadas, no dia anterior pouco tinha conseguido fazer, de alguns meses aquela parte sentia-se particularmente cansado, e o dia anterior não fora excepção, o dia ia correr mal. Começou a fazer a barba, aquele procedimento sofrível que já adiava há três dias, de hoje não podia passar pois o seu superior já o tinha olhado com um ar reprovador no dia anterior.Os movimentos eram lentos sem energia, procurava a todo custo adiar o momento de sair de casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8817940-109836979262038792?l=memoria-curta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoria-curta.blogspot.com/feeds/109836979262038792/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8817940&amp;postID=109836979262038792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/109836979262038792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/109836979262038792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoria-curta.blogspot.com/2004/10/tecto-2.html' title='Tecto #2 '/><author><name>zoom da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13155617073182009733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8817940.post-109836787914191511</id><published>2004-10-21T15:10:00.000+01:00</published><updated>2004-10-21T15:35:16.933+01:00</updated><title type='text'>Tecto #3</title><content type='html'>Saiu de casa, um punhado de raios de sol reflectiram-se no prédio branco em frente e atacaram-no na face, ficou momentaneamente zonzo e colocou os óculos de sol. Era um sinal de que aquele dia não ia correr bem pensou, ficou revoltado com tal pensamento derrotista, decidiu mudar de atitude e mentalizar-se para o que o aguardava, afinal era só mais um dia de trabalho. Reviu na sua cabeça, enquanto caminhava para o carro, todos os grandes momentos que realizara, todas as atitudes de coragem que tomara, era isso... iria recuperar a força de outros tempos, afinal ele continuava o mesmo, só tinha dormido mal, só isso. Entrou no carro e arrancou convicto de que o dia iria correr de feição. No momento em que se preparava para abrir a porta do escritório, a secretaria fez-lhe sinal, apontando para a sala de reuniões, o cliente já havia chegado. Olhou para o chão e, viu toda a coragem reunida no caminho descer-lhe aos pés para, em seguida, espalhar-se pelo tapete. Dirigiu se à secretária, pediu-lhe para avisar o cliente que dentro de dois minutos o receberia, fez-lhe um gesto de que teria de ir a casa de banho.A secretária esboçou um sorriso de consentimento, e ele dirigiu-se para o corredor. Abriu a torneira, passou as mãos por água e molhou a cara, olhou-se ao espelho, e viu um rosto cansado, reparou também numa mancha no ombro do casaco, incrédulo olhou para o ombro, e deparou-se com uma cagadela de pomba. Pensou para si mesmo, é desta maneira que me pagam. Ele que era um acérrimo defensor das pombas, quando as pessoas lhes chamavam de peste, de ratos do ar, ele defendi-as dizendo que a culpa era do homem, que tinha sido ele a  domesticar aquela magnifica ave. Puxou de um bocado de papel embebeu-o em água e sabão líquido e prometeu a si mesmo que iria redefinir o seu sentimento em relação às pombas. &lt;br /&gt;A reunião acabou, correra bem, o cliente saíra satisfeito e a empresa dignificara a sua posição no mercado, ele porém continuava sentado na sala de reuniões olhando pela janela em direcção à praça, onde as pombas povoavam o chão em busca de comida. Tanta ansiedade, tanto medo para nada, afinal tinha sido só mais uma reunião, algo que ele fazia muitas vezes e sem problemas de maior.&lt;br /&gt;A merda de pomba até lhe tinha dado bastante jeito, além de servir para justificar o atraso , serviu para começar a reunião de uma maneira bem disposta, criando empatia com o cliente, afinal de contas é algo que pode acontecer a qualquer um. Estava decidido a continuar a defender as pombas, agora até tinha uma boa história para contar, uma prova de que até a merda das pombas pode ser um trunfo. Apesar de tudo não conseguia deixar de pensar no medo que havia sentido antes da reunião, sabia perfeitamente que deveria desvalorizar aquele episódio pois pensar continuamente sobre o assunto só lhe traria mais ansiedade mas, era mais forte do que ele. Não conseguia deixar de pensar. Levantou-se, dirigiu-se à secretária e avisou-a de que iria sair mais cedo para almoçar, a reunião tinha acabado mais cedo do que o esperado e, não tinha mais nenhum  cliente agendado para a manhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8817940-109836787914191511?l=memoria-curta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoria-curta.blogspot.com/feeds/109836787914191511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8817940&amp;postID=109836787914191511' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/109836787914191511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8817940/posts/default/109836787914191511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoria-curta.blogspot.com/2004/10/tecto-3.html' title='Tecto #3'/><author><name>zoom da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13155617073182009733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
